A Culpa É Minha E Eu coloco Em Quem Eu Quiser


Vocês já ouviram essa frase? Pois bem, ela é cômica, mas reflete muito bem parte da nossa realidade. Eu explico.
Situação a: Pessoa 1 sempre se atrasa. Pessoa 2 Nunca se atrasa e odeia atrasos. As duas tem um compromisso as 19h. A pessoa 2 sabe que precisa ficar no pé da pessoa 1 para que não cheguem atrasadas, se possível, até dizer o horário diferente (ah, começa às 17h) para que não se atrasem. A pessoa 2 não faz isso. Elas se atrasam. A pessoa 2 briga, xinga, grita com a pessoa 1, solta os cachorros mesmo, para fazer a pessoa 1 se sentir mal por isso.
Situação b: P1 faz a linha grude eterno e liga de 5 em 5 minutos. P2 até gosta, mas acha excessivo. Nesse dia p2 precisa de espaço para estudar para uma prova que vai acontecer no dia seguinte. P1 não para de ligar e mandar mensagem. P2 pode simplesmente não responder, ou pedir que p1 lhe dê um tempo, mas não faz; invés disso continua respondendo as ligações e mensagens e acaba não estudando direito. P2 vai mal na prova e briga com p1, jogando toda a culpa nela e usando tudo que pode para fazê-la se sentir mal.
Situações assim são familiares para você? Bom, hoje, como o título já diz, vamos falar sobre culpa, e porque é tão satisfatório pôr a culpa no outro sem assumir nossa parcela. Antes de ir em frente neste texto, quero que fique claro que não estou falando que as pessoas 1 das situações que citei acima não tem sua parcela de culpa na história, e nem que pensem que estou falando de relacionamentos abusivos; o foco desta vez não é esse.
Muitas vezes nos vemos num relacionamento onde só há briga o tempo todo, ou acabamos sempre nos relacionando com o mesmo tipo de pessoa, com os mesmos defeitos que nos incomodam. Quando analisamos mais a fundo vemos situações como as citadas acima, em que criamos o cenário em que os defeitos que nos incomodam na outra pessoa venham à tona para que possamos culpá-la por tê-los. E por que fazemos isso? Bom, existem várias respostas, dependendo da sua história de vida, mas a resposta mais genérica é que existe uma satisfação nisso, em jogar a culpa no outro, em fazer a outra pessoa se sentir mal e não assumir a responsabilidade pelo que nos cabe. E o que seria a parte que nos cabe? Bom... Você não pode mudar a outra pessoa, fazer com que ela seja “menos grudenta” ou que “pare de se atrasar”, porque as mudanças nas pessoas só acontecem no tempo delas e SE ELAS QUISEREM MUDAR. E a gente só muda quando algo em nós nos incomoda; não se muda porque alguém pediu (até que sim, mas a mudança raramente dura, a menos que faça sentido para a pessoa continuar assim). Então, só temos controle sobre nossas próprias ações/reações, ou seja, se você já sabe que aquilo é um defeito da pessoa, que não adiantou conversar e explicar que você não gosta, só há duas opções: tentar conviver com aquilo e desenvolver estratégias para lidar, ou se for algo que realmente é impossível para você aceitar, terminar e seguir sua vida.
E por que não o fazemos? Bom, aí voltamos à resposta genérica do parágrafo anterior: o gozo de jogar a culpa no outro e tirar de nós a responsabilidade de tomar uma atitude; mas porque isso acontece, só você pode saber. Talvez foi como você aprendeu e foi condicionado a se relacionar; talvez algo no seu passado tenha acontecido e te deixado essa marca, enfim, isso não sou eu quem vai te dizer.
Talvez esse seja um texto que vai dar um tapa na cara de alguns; talvez seja visto como absurdo; talvez não cause nenhum efeito; talvez vire só um motivo de riso... Não sei, a forma como vemos a realidade é subjetiva, mas independentemente do que seja, que sirva pelo menos para nos fazer refletir sobre em quais situações nos deixamos levar pelas circunstâncias e ficamos igual a carta do Enforcado no baralho: Enforcados pelo pé, sofrendo, enquanto nossas mãos estão livres para nos desatar e nos libertar.

E por hoje é só, pessoal!

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